Escola municipal vai receber nome de professor vítima da covid-19 em Coronel Vivida

A iniciativa de alterar o nome da Escola Municipal São Cristóvão para Escola Municipal Professor Ademar José de Souza se deve aos vários anos que morou com sua família nessa região, onde dedicou a maior parte da sua vida ao bairro

Da esquerda para a direita: João Marcos, Ângela (esposa do professor Ademar), Felipe (filho) e Tássia

Da esquerda para a direita: João Marcos, Ângela (esposa do professor Ademar), Felipe (filho) e Tássia

Após aprovação unânime no dia 11 de maio, foi realizada a segunda votação nessa terça-feira (18), na Câmara de Vereadores de Coronel Vivida, do Projeto de Lei Nº 35/2021, de autoria dos vereadores Tássia Castelli e João Marcos Miotto, o qual consiste em alterar o nome da Escola Municipal São Cristóvão, por Escola Municipal Professor Ademar José de Souza.

Novamente, todos os membros do Legislativo aprovaram o PL, que agora será encaminhado ao Executivo Municipal, que terá 20 dias para sancionar a lei. Depois desses trâmites legais, a escola receberá esse novo nome.

Segundo Tássia, a iniciativa surgiu por meio de uma conversa com Miotto, "para homenagearmos o professor Ademar, que infelizmente nos deixou no dia 22 de março deste ano, em decorrência de complicações da covid-19".

A vereadora explica que essa escola foi escolhida, "pois o professor Ademar dedicou a maior parte de sua vida ao bairro São Cristóvão. Lá ele foi catequista, coordenador de batismo, ministro da Eucaristia e membro da diretoria da comunidade".

Tássia destaca que, "mesmo não sendo professor da Rede Municipal, ele lecionou no Ensino Médio, no Colégio Estadual Arnaldo Busato, para a maioria dos jovens que estudou na então Escola Municipal São Cristóvão".

Ângela Souza, esposa do professor Ademar, agradece aos vereadores que tiveram a iniciativa do PL e aos demais que aprovaram, assim como ao prefeito Anderson Barreto.

"Também aos amigos professores, aos seus alunos e aos pais desses alunos [tanto da catequese, como da escola], enfim, a todos de Coronel Vivida. Porque ele foi uma pessoa muito querida, que só sabia fazer o bem. E agora vemos, depois que aconteceu isso, a quantia que ele é querido aqui no município. Então só tenho a agradecer a todas essas pessoas".

Memorial

Nascido em 10 de junho de 1964, na comunidade de Cachoeira, em Guarapuava, filho de Alcindo de Souza e Emília Garcia de Souza, Ademar José de Souza viveu sua infância e juventude em seu município natal.

Estudou por quatro anos no seminário de Guarapuava e, logo após, foi estudar Matemática, com especialidade em Física, na Universidade Estadual do Centro-Oeste (Unicentro).

Aos 23 anos, casou-se com Ângela Aparecida dos Santos Souza e tiveram quatro filhos: Maristela, Mariane, Felipe e Fabrício.

Em 1994, mudou-se com sua família para o bairro São Cristóvão, em Coronel Vivida, para trabalhar na empresa VW Madeiras — já prestava serviço em Guarapuava para essa empresa desde 1991.

Sua vida na comunidade sempre foi muito participativa. Ademar e sua esposa foram catequistas, membros da diretoria e ministros da Eucaristia na Igreja São Cristóvão. Seus três primeiros filhos frequentaram o Ensino Fundamental na Escola Municipal São Cristóvão. Nesses anos, Ademar fez muitas amizades que permaneceram até hoje.

Em 2003, prestou seu primeiro concurso para professor no Estado do Paraná. Desde então, lecionou no Colégio Estadual Arnaldo Busato. Em 2007, foi aprovado em um novo concurso do Estado do Paraná. A partir daí, ele trabalhava 40h como professor e 20h no departamento de recursos humanos na empresa VW Madeiras.

Em 2008, mudou-se para o bairro Líder. Entretanto, sua participação e da família no bairro São Cristóvão permaneceu, pois continuou como ministro da palavra e coordenador do batismo. Assim, todos os fins de semana, estava nas celebrações.

Ademar, por 56 anos, sempre foi uma pessoa muito humilde e defensor dos direitos humanos. Lutou bravamente pelos direitos dos professores e por uma educação pública de qualidade. Gostava de ser ativo, crítico e admirador da política do município. Tanto que foi candidato a vereador por duas vezes pelo Partido dos Trabalhadores (PT).

Ademar iniciou sua luta militante ainda na fase estudantil, participando ativamente nos movimentos dos estudantes. Em seguida, foi para as ruas defender o direito de votar novamente e, no período das Diretas Já, liderando junto com outros militantes as passeatas. Principalmente na região de Guarapuava, onde residia na época.

Já casado e morando em Coronel Vivida, filiou-se ao PT, tendo orgulho de nunca ter se filiado em outro partido. Sua fidelidade ao PT foi a mesma que teve com seus ideais e suas convicções.

Professor que era, jamais se curvou a qualquer que fosse a imposição desse ou daquele governo, embora nunca tenha faltado com o compromisso com os planos de ensino determinados.

Foi candidato a vereador por duas vezes, e seus votos somaram-se para que o partido elegesse seus representantes. Sábio, costumava dizer que não importava quantos seriam os votos, tanto que fossem votos conscientes. Fez da política uma razão de ser e semeou sempre uma mensagem por justiça social.

Conhecido como "Professor Ademar", conquistou o respeito e admiração de muitas pessoas e, principalmente, dos jovens (alunos). Ficou conhecido pelo jeito sereno e justo de levar a vida, legado que deixou para os que ficam.

Ademar estará para sempre nos corações. Certamente está militante em outras frentes, e deixou para nós a dádiva de conhecer e aprender com seus ensinamentos de vida e de luta.

Professor Ademar, presente!

* Memorial lido durante a primeira votação, ocorrida no dia 11 de maio, na Câmara de Vereadores de Coronel Vivida