A seca provoca impactos que vão além do fornecimento de água para abastecimento público

Gilson Abreu/AEN

Gilson Abreu/AEN

J√° são contabilizadas perdas consider√°veis na produção agrícola, h√° um aumento na ocorr√™ncia de inc√™ndios em todo o Estado e também da incid√™ncia de problemas de saúde.

No início de agosto, o governo estadual publicou o quarto decreto de emerg√™ncia hídrica no Paran√°, em sequ√™ncia, reconhecendo a gravidade da estiagem e que prioriza o uso da √°gua para abastecimento humano e dessentação animal.

Em julho, houve 1.505 focos de queimadas no Paran√°, 125% a mais que no mesmo m√™s do ano passado, quando 669 ocorr√™ncias foram confirmadas. Nos primeiros dias de agosto, as ocorr√™ncias mais do que dobraram, passando de 674 registros entre os dias 1¬ļ e 8 de agosto, contra 329 no mesmo período de 2020.

O alerta de risco alto de incêndio continua vermelho na maior parte do Estado, conforme mapa divulgado no fim de semana pelo Sistema de Tecnologia e Monitoramento Ambiental do Paraná (Simepar).

PERDAS AGRÍCOLAS

No Paran√°, as perdas provocadas pela estiagem repercutem em toda a cadeia alimentar. Sem chuvas significativas no momento do plantio de grãos, muitos produtores atrasaram a semeadura, fazendo com que a produção sofresse impacto de pragas e de geadas fora dos ciclos convencionais.

A quebra na produção de milho foi de 58% na segunda safra em relação ao mesmo período da cultura no ano passado. Segundo o Departamento de Economia Rural (Deral) da Secretaria de Estado da Agricultura e do Abastecimento, a estimativa inicial era colher 14,6 milhões de toneladas de milho em 2,5 milhões de hectares no estado. Sem chuvas suficientes, os agricultores paranaenses colheram 6,1 milhões de toneladas na mesma √°rea plantada. Isso significa um prejuízo de R$ 12 bilhões na economia.

O chefe do Deral, Salatiel Turra, explica que como consequ√™ncia o grão est√° 124% mais caro do que no ano passado, com reflexos na criação de frango, peixe e porco. "O milho é a principal proteína na produção de frango, por exemplo. Os produtores terão que importar o grão, causando impacto no preço dos alimentos para o consumidor final", afirma.

Maior produtor de feijão no país, o Paran√° também viu diminuir em 48% a colheita das duas primeiras safras deste ano. Das 539 mil toneladas esperadas, foram colhidas 282 mil toneladas. "Estamos vivendo uma das piores secas dos últimos tempos, com redução bastante significativa na produção e na produtividade agrícola. Os produtores rurais ficam descapitalizados e diminuem o consumo, impactando toda a economia", diz Salatiel Turra.

SAÚDE

O tempo seco contribui para o ressecamento da mucosa das vias aéreas, o que acaba facilitando o surgimento de alergias, asma, bronquite, dermatites, gripes e resfriados. E como consequ√™ncia infecções bacterianas secund√°rias como pneumonia, sinusite, otites e laringites, segundo o pneumopediatra José Orlando Nonino, de Londrina. Como prevenção às doenças respiratórias, o médico indica boa alimentação e a ingestão de √°gua regularmente. "A criança deve receber líquidos v√°rias vezes ao dia. Esses líquidos podem ser o leite, o suco, mas, principalmente, √°gua".

Ele aconselha também o umidificador de ambientes, mas, preferencialmente, o uso de uma toalha úmida na janela, cabeceira ou cadeira perto da cama do quarto de dormir.

Os idosos também sentem mais os efeitos da estiagem. Rinite, sinusite e asma acometem mais esse público neste período, ou se agravam com a baixa umidade do ar, segundo a geriatra Cristina Ferreira Lima Disconzi, de Guarapuava.

"Problemas das vias aéreas superiores se tornam mais comuns. Em relação aos idosos, é preciso ficar atento à hidratação. A falta de √°gua no organismo causa alterações renais, infecções urin√°rias e até o que chamamos de delirium, uma confusão mental ou mudança de comportamento devido à ocorr√™ncia de infecções", alerta a geriatra.

Dicas de economia de √°gua:

Feche a torneira - Ao lavar as mãos ou a louça, não deixe a torneira aberta todo o tempo. Isso evitar√° que v√°rios litros de √°gua tratada sejam desperdiçados.

Hora do banho - Seja r√°pido no banho. Cada 5 minutos embaixo do chuveiro ligado consomem aproximadamente 70 litros de √°gua.

Basta um copo - Para escovar os dentes é necess√°rio apenas um copo de √°gua. Feche a torneira.

Use a vassoura - Antes de lavar a calçada, use vassoura. Jamais use a √°gua pot√°vel para esse serviço. Reaproveite a √°gua da lavagem de roupa ou da chuva.

Economia - Diminua as descargas. Regule periodicamente a válvula hidra ou a caixa de descarga. Coloque uma garrafa pet com água ou areia dentro da caixa de descarga acoplada. Se a garrafa for de 1,5 litro, a cada descarga, você economia 1,5 litro de água.

Lavando roupa - Junte roupas para lavar todas de uma só vez. Aproveite a √°gua usada no tanque ou na m√°quina para lavar calçadas.

T√° Pingando - Os maiores ladrões de √°gua são vazamentos, torneira pingando e descarga desregulada. Faça manutenção regularmente.

Carro - Em época de estiagem não lave o carro. Reaproveite √°gua da chuva ou de lavagem de roupas para fazer a limpeza.

Fazendo a barba - Não faça a barba com a torneira aberta. Use a √°gua somente para molhar e enxaguar o rosto.

T√° na mão - Lavar as mãos com a torneira aberta o tempo todo causa um grande desperdício. Ao ensaboar as mãos, deixe a torneira fechada.

Reaproveite - A √°gua do último enx√°gue das roupas, no tanque ou na m√°quina, pode ser usada para ensaboar tapetes, t√™nis, cobertores, pisos e calçadas.

Gaste menos - Ao lavar a louça, encha a cuba de √°gua e deixe-a fechada. Evite deixar a torneira aberta, enx√°gue a louça toda ao final da lavagem. Assim, o gasto de √°gua é bem menor.