Análise: Boas práticas no feijão garantem qualidade no campo e no mercado

Crédito: Imagem ilustrativa

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Assim como em qualquer cultura agrícola, a ado√ß√£o de boas pr√°ticas na cultura do feij√£o visa uma produ√ß√£o eficiente, segura e em conson√Ęncia com a legisla√ß√£o vigente, aspectos fundamentais para trazer seguran√ßa e credibilidade aos produtores rurais frente aos compradores e agentes fiscalizadores (Ministério da Agricultura no √Ęmbito nacional e a Adapar no estadual).

O controle das etapas do processo produtivo permite também uma melhor efici√™ncia das tecnologias utilizadas, otimiza√ß√£o de resultados e facilita√ß√£o da integra√ß√£o com os demais agentes da cadeia produtiva, com rastreabilidade até chegar ao consumidor final. Ou seja, o manejo adequado do solo, √°gua, pragas, doen√ßas e plantas daninhas e o pós-colheita garante seguran√ßa ao produtor rural, beneficiador, armazenador, embalador e consumidor.

Para o produtor rural e armazenador, especialmente, o uso racional de insumos reflete em custos de produ√ß√£o menores. Ainda, no √Ęmbito das boas pr√°ticas, é imprescindível a utiliza√ß√£o somente de defensivos agrícolas autorizados para o feij√£o, nas doses recomendadas e respeitando o intervalo de seguran√ßa, conforme a recomenda√ß√£o do profissional habilitado, do receitu√°rio agronômico e da bula do defensivo agrícola.

Manejo da dessecação

O manejo pré-colheita é um ponto de aten√ß√£o, pois permite antecip√°-la e uniformizar a matura√ß√£o das vagens. S√£o poucos os produtos cadastrados pela Adapar para uso e comércio no Paran√°. Somente os produtos à base dos ingredientes ativos glufosinato de amônio e diquate s√£o autorizados. A lista de produtos comerciais liberados, cancelados ou liberados com restri√ß√£o de uso est√° disponível no site da Adapar. Além disso, é fundamental seguir a recomenda√ß√£o do agrônomo especificada em receitu√°rio agronômico.

O intervalo de seguran√ßa ou período de car√™ncia é outro ponto de aten√ß√£o, informado em bula, e que corresponde ao intervalo entre a última aplica√ß√£o do defensivo agrícola e a colheita. O intervalo de seguran√ßa é de sete dias para produtos à base de diquate e cinco dias para os à base de glufosinato de amônio.

Sistema de produção

No Paran√°, o Projeto Gr√£os Centro- -Sul de Feij√£o e Milho, do IDR-Paran√°, desenvolve h√° 31 anos um trabalho junto aos agricultores familiares com a√ß√Ķes voltadas para tecnologia de produ√ß√£o e boas pr√°ticas agrícolas. O trabalho de campo tem sido realizado em parceria com a Embrapa, Instituto Agronômico de Campinas (IAC) e a empresa Syngenta.

Os resultados s√£o not√°veis, com produtividade média das unidades demonstrativas de 2.490 kg/ha, 61% superior à média do Paran√° na safra 2019/20. Dentro do escopo de boas pr√°ticas, o projeto est√° no 6¬į ano de avalia√ß√Ķes do Manejo Integrado de Pragas na cultura do feij√£o (MIP-feij√£o).

O protocolo de monitoramento foi fechado h√° quatro anos em um trabalho conjunto entre Iapar, Emater (atual IDR-Paran√°), Universidade Estadual de Londrina (UEL) e Syngenta. Na safra das √°guas (1 ¬™ safra), o número de pulveriza√ß√Ķes de inseticidas foi reduzido pela metade com produtividade média de 2.380 kg/ha contra 2.216 kg/ha em √°reas que n√£o utilizam MIP. Na safra da seca (2¬™ safra), o número de pulveriza√ß√Ķes foi reduzido de 3 para 2 com produtividade média de 2.056 kg/ha contra 1.899 kg/ha.

A transfer√™ncia de tecnologia tem sido feita por meio de reuni√Ķes, dias de campo, excurs√Ķes, semanas de campo, encontros e cursos/oficinas.

É importante que iniciativas como essa sejam replicadas e apoiadas para ter um alcance e visibilidade maiores, visando capacitar o maior número de produtores em boas pr√°ticas agrícolas para a cultura do feij√£o.

Monitoramento da qualidade

Em 2008, o Ministério da Agricultura instituiu o Plano Nacional de Controle de Resíduos e Contaminantes em Produtos de Origem Vegetal (PNCRC/Vegetal) para monitorar a qualidade dos produtos vegetais nacionais e importados comercializados no Brasil. Como parte do programa s√£o feitas amostragens e an√°lises laboratoriais em produtos, incluindo o feij√£o. Nestas an√°lises s√£o monitorados os resíduos de defensivos agrícolas e contaminantes químicos e biológico.

Quando s√£o detectadas inconformidades nas amostras, é iniciado um processo de investiga√ß√£o. O estabelecimento onde foi realizada a coleta, como embaladores de feij√£o, s√£o chamados a apresentar as informa√ß√Ķes de autocontrole e, se comprovada a n√£o conformidade, s√£o autuados pela fiscaliza√ß√£o. As informa√ß√Ķes de autocontrole dizem respeito às a√ß√Ķes preventivas que o embalador adota na compra dos produtos para garantir a rastreabilidade até o seu vendedor, produtor rural.

A quantidade de amostras do PNCRC/Vegetal a ser coletada é determinada pelo Departamento de Inspe√ß√£o de Produtos de Origem Vegetal (Dipov) da Secretaria de Defesa Agropecu√°ria (SDA) do Mapa. A distribui√ß√£o desta quantidade de amostras por cultura agrícola e ao longo do ano safra é realizado pelo Servi√ßo de Inspe√ß√£o Vegetal da Superintend√™ncia Federal de Agricultura no Paran√°, que também é respons√°vel pelas coletas por meio de seus auditores fiscais. Mesmo com a pandemia de Covid-19, as coletas e an√°lises de amostras continuam sendo realizadas.

Amostragem estadual A fiscaliza√ß√£o nas propriedades rurais no Paran√° é compet√™ncia da Adapar, que realiza monitoramento e coleta amostras de produtos vegetais. Estas s√£o embaladas, identificadas, lacradas e acompanhadas do Termo de Coleta de Amostra. Duas partes das amostras s√£o encaminhadas ao laboratório credenciado e uma fica em poder do fiscalizado para realiza√ß√£o de perícia de contraprova, caso necess√°rio.

Caso as an√°lises das amostras evidenciem resíduos acima do estabelecido ou de produto proibido para a cultura, o produtor rural ser√° notificado por meio do Termo de Fiscaliza√ß√£o da irregularidade, com cópia da an√°lise laboratorial.

Caso n√£o concorde com o resultado, o produtor rural poder√° solicitar an√°lise pericial da contraprova da amostra em seu poder ou da 3¬™ via armazenada no laboratório, no prazo de 10 dias, arcando com o custo da an√°lise. O agricultor poder√° indicar perito, engenheiro agrônomo ou técnico habilitado para acompanhar a an√°lise pericial. Caso o agricultor declare por escrito que n√£o tem interesse em solicitar a an√°lise pericial, ou caso o resultado da an√°lise confirme o resíduo proibido ou acima do limite m√°ximo, ser√° lavrado o Auto de Infra√ß√£o.

A fiscaliza√ß√£o também investiga se os produtos comerciais adquiridos pelo agricultor t√™m receita agronômica, se estas conferem com as culturas plantadas na √°rea, e caso constate irregularidades, autuar√° também o profissional legalmente habilitado por receita errada e o comerciante do defensivo agrícola em caso de falta de receita.