Paraná conquista o certificado de área livre de febre aftosa sem vacinação

A conquista do novo status sanitário foi oficializada na 88º Assembleia Geral da Organização Mundial da Saúde (OIE), realizada em Paris, na França, de forma on-line

Crédito: Divulgação

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O Paraná obteve, nesta quinta-feira (27), o reconhecimento internacional como área livre de febre aftosa sem vacinação. A conquista do novo status sanitário foi oficializada na 88º Assembleia Geral da Organização Mundial da Saúde (OIE), realizada em Paris, na França, de forma on-line.

Com isso, o Estado passa a ostentar o mais elevado selo de sanidade, equiparando-se a países como Canadá, Austrália, Japão e da União Europeia (UE). O novo status abre caminho para que os produtos pecuários do Paraná possam acessar mercados mais exigentes. Também obtiveram o reconhecimento o Rio Grande do Sul e os Estados do Bloco I – Acre, Rondônia e parte do Amazonas e do Mato Grosso.

"A partir de agora, nós não vendemos apenas carnes para o mundo, mas também segurança alimentar. Esse novo certificado estampado nos produtos paranaenses certamente vai abrir novos mercados, que pagam mais. Afinal, o olhar sobre os nossos produtos vai mudar para melhor", aponta o presidente da FAEP, Ágide Meneguette. "Importante ressaltar que o selo não abre portas apenas à bovinocultura, mas a toda pecuária, principalmente suinocultura, que tem grande potencial de expansão, avicultura, pecuária leiteira e piscicultura".

O reconhecimento internacional como área livre de febre aftosa sem vacinação coloca o Paraná em um outro patamar, que permite acessar mercados que pagam mais pelos produtos. Com a chancela, os players paranaenses vão poder acessar países até então restritos.

Trajetória

A consolidação do sistema sanitário do Paraná é resultado de trajetória de décadas, a partir da união de esforços das iniciativas pública e privada. Para isso, o Sistema FAEP/SENAR-PR ocupou um papel indispensável, auxiliando a pavimentar o caminho a ser percorrido.

A Federação foi pioneira ao investir em diferentes frentes para conduzir o processo de convencimento à priorização da sanidade por parte de vários governos que passaram pelo Palácio Iguaçu. Além de incentivar a organização do setor, a FAEP auxiliou em ações que exigiram mobilização, coordenou missões de lideranças políticas e administrativas e promoveu viagens para técnicos e produtores, fomentando a cultura da importância da sanidade animal para o agronegócio.

"Nós sempre atuamos pelo fortalecimento do sistema sanitário paranaense, seja buscando conhecimento para mostrar ao setor a importância econômica, seja investindo em infraestrutura e corpo técnico", destaca Meneguette.

Há décadas, a entidade começou um trabalho direto para avançar rumo ao reconhecimento do Paraná pela Organização Mundial da Saúde Animal (OIE), por meio do suporte ao cumprimento dos trâmites necessários para obter novas certificações de condição sanitária.

Investimentos robustos

A chegada dos anos 1990 marcou um período de intensa mobilização do campo paranaense e formação de uma infraestrutura sólida em sanidade animal. A FAEP passou a investir mais diretamente neste processo e assumiu o protagonismo da parceria público-privada.

"Houve uma participação mais ativa das instituições ligadas ao agro, capitaneadas pela FAEP", destaca Ronei Volpi, diretor-executivo do Fundo de Desenvolvimento Agropecuário do Estado do Paraná (Fundepec), que coordenou o núcleo de defesa agropecuária no Sudoeste do Paraná, nos anos 1970.

EM 1996, a FAEP propôs a criação da Lei de Sanidade Animal no Paraná, complementando a legislação federal. A Lei 11.504, de 6 de agosto daquele ano, permitiu um aperfeiçoamento e modernização das normas e regras, facilitando ao produtor cumprir as reponsabilidades na manutenção sanitária.

Então, o SENAR-PR passou a colaborar de forma efetiva na formação técnica de profissionais. Foram centenas de treinamentos e capacitações, contribuindo de forma substancial para a formação de recursos humanos da defesa sanitária paranaense, além de contribuir na formação da consciência sanitária dos produtores. A combinação destes fatores fez com que, em 1996, o número de casos de febre aftosa no Paraná chegasse a zero.

Houve, então, uma grande articulação técnica e política para que o Estado pleiteasse o status de área livre de febre aftosa com vacinação junto à OIE.

Estratégias

Segundo Antonio Poloni, secretário estadual de Agricultura de 1998 a 2001 e hoje assessor da presidência da FAEP, a Federação foi responsável por mobilizar as equipes de governo ao longo de diferentes mandatos para priorizarem a sanidade. "Foi preciso convencer os governos e as demais entidades representativas do campo a participarem desse desafio de fazer o Paraná pioneiro em questão sanitária", afirma.

Nos anos 2000, o Paraná recebeu o reconhecimento internacional de área livre de febre aftosa com vacinação, o que coroou a primeira etapa dos esforços de uma longa caminhada.

Em 2018, a então governadora do Estado, Cida Borghetti, encaminhou um ofício ao Mapa pedindo a suspensão da vacinação contra a doença em maio de 2019, com o compromisso de implementar as ações e metas previstas no Programa Nacional de Erradicação de Febre Aftosa (PNEFA).

Em 2019, Paraná oficializou a retirada da vacina contra aftosa, dando sequência à conquista do novo status. No mesmo ano, a Federação promoveu os encontros do Fórum Regional Paraná Livre de Febre Aftosa Sem Vacinação, também em parceria com outras entidades privadas do agro. Os eventos, que percorreram seis cidades, tiveram o objetivo de debater o futuro do Estado em relação à obtenção do novo status de área livre de febre aftosa sem vacinação.