Pesquisadores da UEM criam material com base em pinhão que remove produto poluente

Jeferson Luis de Sena/Portal Vividense

Jeferson Luis de Sena/Portal Vividense

Pesquisadores da Universidade Estadual de Maring√° (UEM), em conjunto com profissionais de outras institui√ß√Ķes, publicaram internacionalmente um artigo cient√≠fico que trata do uso da casca do pinh√£o para desenvolvimento de um material adsorvente de bisfenol A (BPA), ou seja, com propriedade de fix√°-lo e, principalmente, remov√™-lo. O objetivo é reduzir problemas socioambientais.

O artigo "Enhanced removal of bisphenol A using pine-fruitshell-derived hydrochars: adsorption mechanismsand reusability" est√° publicado em ingl√™s no Journal of Hazardous Materials (Jornal de Materiais Insalubres) – periódico com fator de impacto cient√≠fico no valor de 9,03, o que o coloca como o oitavo mais relevante do mundo na √°rea das Ci√™ncias Ambientais, de acordo com dados do Journal Citation Reports (Relatórios de Cita√ß√Ķes de Periódicos), além de possuir escopo A1 (o mais elevado) em Qu√≠mica.

O professor Andrelson Wellington Rinaldi, chefe do Departamento de Qu√≠mica (DQI) da UEM, é um dos autores. Ele conta que o grupo desenvolveu hidrocarv√Ķes a partir das cascas de pinh√£o obtidas a partir de res√≠duos agroindustriais, que s√£o materiais sustent√°veis, e est√° atuando fortemente nesta vertente para minimizar poluentes emergentes. Além de ser poluente, o BPA é um disruptor endócrino, subst√Ęncia que pode levar ao surgimento do c√Ęncer, como descrito em diversos artigo cient√≠ficos relevantes. Por isso, desde 1¬ļ de janeiro de 2012 é proibida a venda no Brasil de mamadeiras que contenham o BPA, encontrado na maior parte dos pl√°sticos.

"Devido à agressividade do BPA ao ser humano, diversos sistemas de embalagens trazem em seus rótulos os dizeres BPA free, livre de BPA. O material desenvolvido por nós tem a capacidade de remover o BPA que se encontra dissolvido no meio, ou seja, em solu√ß√£o. É um material extremamente √ļtil, podendo ser empregado em sistemas de purifica√ß√£o da √°gua, inclusive para consumo, além da possibilidade de ser reutilizado", destaca Rinaldi, l√≠der do grupo de pesquisa Rinaldi Research Group. "Buscamos, de forma incessante, solu√ß√Ķes sustent√°veis e ambientalmente corretas para sanar problemas oriundos das a√ß√Ķes humanas", acrescenta.

PESQUISADORES – Além de Rinaldi, s√£o autores do artigo internacional Hugo Henrique Carline de Lima, pós-doutorando em Qu√≠mica pela UEM; Maria Eug√™nia Grego Llop, formanda do curso de bacharelado em Qu√≠mica da UEM; Rogério dos Santos Maniezzo, formando do curso de licenciatura em Qu√≠mica da UEM; Murilo Pereira Moisés, professor da Universidade Tecnológica Federal do Paran√° (UTFPR) e qu√≠mico egresso da UEM, onde cursou da gradua√ß√£o ao pós-doutorado; Vanderly Janeiro, docente do Departamento de Estat√≠stica (DES) da UEM; Pedro Augusto Arroyo, coordenador-adjunto do Programa de Pós-Gradua√ß√£o em Engenharia Qu√≠mica (PEQ) da UEM e coordenador do Laboratório de Adsor√ß√£o e Troca Iônica do Departamento de Engenharia Qu√≠mica (DEQ) da UEM; e Marcos Rogério Guilherme, professor da Faculdade de Engenharia e Inova√ß√£o Técnico Profissional (Feitep) e qu√≠mico egresso da UEM, onde cursou da gradua√ß√£o ao doutorado, além de pós-doutorado na Fran√ßa.