Você realmente perdoa?

Arquivo pessoal

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Você sabe o real significado da palavra perdão? Ou o simples ato de perdoar?

A palavra "perdão" vem do latim perdonare, que significa a ação de perdoar. Ou seja, aceitar ou pedir desculpas; redimir-se em relação a algo de errado. Algo que parece tão simples, mas que é complexo ao pé da letra.

Somos humanos, seres racionais, que muitas vezes não usamos a nossa sabedoria, sendo passivos de erros e não refletindo nas consequências. Desde o início dos tempos, até mesmo dentro das religiões, o perdão sempre foi sinônimo de alívio e paz. Podemos estar ambos nos erros; e aí o desafio do reconhecimento das falhas.

Mas será que perdoar a mesma pessoa o tempo todo te faz sentir melhor? Será que você concedendo sempre o perdão não te torna fraco e infeliz? E, você, como se sente em ter que pedir perdão? Ou continuar cometendo os mesmos ou outros erros?

São diversas as hipóteses e situações, que não podem ser esclarecidas no calor do momento, as quais exigem paciência e compreensão. São com os erros que aprendemos a ser melhores a amadurecermos.

A questão é: Quem foi o lesionado para fazer você crescer com os erros? Você realmente se arrependeu? Até porque podemos estar equivocados com os fatos, que podem levar a situações vergonhosas e enganosas, fruto da nossa imaginação.

O perdão é algo subjetivo de cada um. Envolve sentimentos de ambas as partes, religião, opiniões, e está relacionado ao tamanho da ofensa e o quanto atingiu o ego.

Têm indivíduos que preferem pedir perdão para ter alívio e paz ou porque lhe é oportuno. Já outros preferem ficar em silêncio, acreditando que fizeram apenas a sua obrigação, ou então porque estão convictos que não agiram de má fé, deixando o egoísmo agir.

Ao ser perdoado [sentir o perdão] deve ter a consciência de que tem culpa, que errou!

Existem àqueles que preferem esse enredo: "Eu sei o que aconteceu e vou tentar esquecer. Saberei contornar, conviver e entender o que levou o indivíduo a fazer o que fez". Todavia, existem àqueles que não querem perdoar, preferem se afastar.

O perdão é o agente do fortalecimento social. É conveniente para o convívio da sociedade. Temos o sinônimo do perdão, que é o ato de pedir desculpas, que em muitos casos usa-se como pretexto: "Eu te desculpo, irei conviver com você, posso até gostar de você, mas não vou esquecer o que ocorreu, não consigo perdoar".

É notório que as duas palavras (perdão e desculpas) expressam o mesmo significado: Eliminação de qualquer ressentimento. Podemos viajar na filosofia aristotélica "A ética não é uma ética do perdão e da remissão dos erros".

Aristóteles (384 – 322 a. C.), nesse contexto, considera o ato de perdoar um vício, pois envolve intencionalidade. Ou seja, foram conscientes e deliberados, de modo que o homem pode voltar a cometer os mesmos erros.

Em Nietzsche (1844 – 1900), o perdão é uma característica do fraco, ressaltando que o indivíduo será incapaz de reagir e levantar.

Já o filósofo Schopenhauer (1788 – 1860) tem a mesma ideologia de Nietzsche sobre o perdão, porém, com argumentos complementares. "O perdoar e esquecer é como jogar pela janela tudo o que se aprendeu de princípios ao longo da vida".

Vale ressaltar qual é a ligação com a pessoa, o quão valiosa ela é, ou o quão desagradável e irritante foi [e continua sendo] para que repita uma outra vez.

Avaliar a situação em todos os casos é coerente; não agindo no impulso. O correto, em qualquer discussão, é ficar em silêncio para analisar os fatos.

Tolerar é diferente de perdoar e conviver.

Estamos à mercê, a qualquer momento, de estarmos nos mesmos lugares com os "amigos", os "familiares", os "colegas de trabalho" ou apenas conhecidos, que nos ofenderam. Mas o respeito tem que ser mútuo.

Gentileza não significa perdoar. E, sim, manter a integridade emocional; manter a compostura e a maturidade.

Dentro do universo religioso [ou fora dele], o perdão é pessoal e moral; diz respeito somente aos seus ensinamentos. A paz e a consciência são a construção de valores, que foram adquiridos ao longo de toda a vida!



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*Jenneffer Kelly Nichelle é de Coronel Vivida. Formada em Filosofia, Pedagogia e História. Tem especialização em Metodologia do Ensino de História e Religião. Acadêmica de Biomedicina. Siga sua página no Instagram: https://www.instagram.com/motivando_filosofia/.